Domingo, 31 de Agosto de 2008
Serviços Personalizados
Quando você olha o site do sujeito, você logo vê que ele deve também deve fazer bico de personal web designer, mas isso não vem ao caso. A grande questão é que, como personal friend, Toni Sá daria um excelente personal grandpa. Pelo menos é a impressão que se tem depois de ler a coluna Badulaque, da TPM do mês passado.
Aí, amiguinhos empreendedores, podemos enxergar um novo nicho de mercado. Pessoas que precisam e estão dispostas a pagar por amiguinhos divertidos, que não reclamem de cigarro, café e nem te ajudem a vestir o casaco. Fica a dica: criar um serviço de personal gang: alugue não apenas um amigo, mas uma galera inteira. Os serviços de personal gang pode contar com uma série de serviços especiais.
1. Personal social rehab: esse é para os deslocados que não conseguem entrar para nenhum grupo. Podemos ensinar o sujeito a se vestir, pegar mina (ou caras bonitinhos) na balada, tomar um porre sem ficar de ressaca no dia seguinte, parecer inteligente, divertido e se tornar interessante. Isso tudo sem apelar para bebida em excesso, craque, cocaína ou qualquer coisa que a Amy Winehouse use (o termo rehab não se relaciona com o hit dela).
2. Personal smart friends: esse é para quem é nerd e não tem com quem discutir as diferentes relações de poder de senhor e escravos que Nietzche descreve com destreza magistral. Os tópicos, filósofos ou antropólogos a serem discutidos ficam à escolha do contratante. Montamos grupos de estudos e ainda fazemos você ver o quanto aquele fulano que você detesta vive dentro de uma lógica patriarcal completamente ultrapassada.
3. Personal drunk friends: um grupo de amigos que enchem a cara, ficam engraçadíssimos, divertidíssimos e pedem para dormir no sofá da tua casa. A limpeza de toda a bagunça e vômito estão inclusas no pacote.
4. Personal ride: um galera com uma pessoa que não bebe. Assim todo mundo enche a cara e sobra alguem para dar carona para todo mundo. OBS: o carro, estacionamento e combustível ficam sob responsabilidade do contratante. Para usufruir de carona terceirizada, é cobrada taxa adicional.
5. Personal bitches: é um serviço destinado àquelas pessoas que têm a auto-estima diretamente proporcional à inferiorização alheia. Formamos um grupo de amigos prontos para espezinhar e assediar moralmente quem você quiser.
OBS: como já diria o mestre Toni Sá, nenhum dos serviços tem cunho sexual. A diferença é que, precisando, a gente até contata uma dessas moças que colam adesivinho nos orelhões da rua... mas tem taxa por essa ligação, hein...
Sábado, 26 de Abril de 2008
Falando Braile
Uma capciosa pergunta filosófica (de boteco, claro): “como descrever o azul para um cego”? Transponha a pergunta para pornografia e a filosofia de boteco imediatamente torna-se um esculacho de botequeiro bêbado. Certo? Errado. E quem falar o contrário, não tem visão de mercado.
O site americano Porn for the blind levou a questão a cabo. Nele, voluntários fazem a boa ação (e interprete esse “boa” como bem quiser) de descrever cenas de sexo explícito de sites pornôs para cegos.
A descrição é completa: detalhes sobre os personagens, cenários e, como não poderia deixar de ser, CORES.
Mas será que esse site é realmente acessível a seu target? Será que a navegação é fácil? Como o cego vai saber onde clicar? E quando saberá ao menos que a página já carregou? Acho que falta visão nessa história toda. E talvez brincar mais de gato mia.
Sábado, 12 de Janeiro de 2008
Um release do Reveillon
O sol carioca era escaldante, a praia estava cheia e tinha até show de blues com uma banda de tiozinhos. Fantastico. A noite, de volta para a ilha, dois filmes: Machuca e Greenhouse. O primeiro foi lindo, o segundo... bom... o segundo era Tarantino em sua pior fase. Mas a fotografia e a trilha sonora até salvavam o filme.
No dia seguinte, mais praia, os melhores sucos que eu já tomei, sorvete (com caldas a R$ 1,20), shopping que parecia um complexo de lojas de rua e que tinha até universidade (para quem tiver a fim de comprar um diploma, né?), balsa, ilha...
Domingo, 14 de Outubro de 2007
Sobre a distração, o racismo e os xiliques

Sexta-feira, 20 de Julho de 2007
Sissi, die Diva Kaiserin
No meio dos DVDs de minha casa, eu e minha amiga Bí encontramos uma pérola do cinema alemão da década de 50: o box da trilogia da Sissi.- Do que se tratam esses filmes?
- É sobre uma princesinha bonita e legal que tinha uma irmã também bonita e legal que ia casar com um príncipe bonito e legal. Porém antes do noivado, Sissi e o príncipe se apaixonam. Então ele resolve casar com a Sissi e dar um fora na irmã mais velha dela. Isso é o primeiro filme...
- Aí rola barraco entre as irmãs?
- Não! A irmã da Sissi muito legal. Ela compreende e dá seu aval pra irmã ser feliz para sempre com o príncipe. É todo mundo muito bonito e legal, nesse filme.
- E os outros dois?
- O terceiro eu não vi. Mas no segundo eu sei que rolam problemas de relacionamento com a rainha, que é bonita mas não é tão legal assim. Não consegui ver inteiro.
- Hahahahaha... quero ver!
Postulei: a trilogia sobre a rainha do império austro-húngaro é tão densa que faz conto de fadas da Disney parecer filme de terror. E minha teoria foi confirmada depois de finalmente ver os três filmes.
Sissi era uma imperatriz absurdamente poderosa. Mesmo de salto e espartilho, ela fazia o que muito marmanjo não consegue. Ela cavalgava em alta velocidade (saltando obstáculos) com as duas pernas para o lado, escalava montanhas, caçava e pulava janelas de castelos sem perder a classe nem amarrotar as vestes, sempre luxuosas. Fora que era capaz de aprender uma língua como húngaro no intervalo de uma cena. Um gênio, a moça. Entretanto, o mais impressionante de tudo sua habilidade em resolver problemas polítoco-diplomáticos do império.
Guerras, rebeliões, antigas rixas diplomáticas: Sissi resolvia. Como? Com uma simples dança em algum baile, um sorriso, estendendo sua mãozinha para receber um beijo do senhor da guerra em questão. Quando o impasse era muito complicado, ela chamava o rebelado para uma conversa particular. Após alguns minutos e algumas palavrinhas dóceis proferidas com aquela vozinha angelical, tudo estava resolvido. A Hungria queria sua emancipação, guerra e rebelião. Mas bastou Sissi aparecer que todas as rixas sumiram e a Hungria tornou-se um reino amigo da Áustria.
Ademais o povo amava Sissi. Ela causava mais frenesi na Áustria do século XIX que os Beatles na Inglaterra dos anos 60. Se ela desfilava pelas ruas ou viajava pelo seu império, o povo se alvoroçava, subia em árvores, corria e se acotovelava para vê-la.
Sissi era uma diva! Todo homem do alto escalão político-militar que a via, se apaixonava imediatamente. O imperador fazia todas as suas vontades e era, por ela, um incorrigível romantico. Sissi era a personificação da sedução. E com seu jeito, hora imperioso e recatado, hora espontâneo e impetuoso, ela mantinha sobre si algo misterioso. Essa aura cai muito bem para uma imperatriz e caracteriza uma diva.
Terça-feira, 10 de Julho de 2007
- Gabi, vamos pro Conexión Caribe? - Pra onde?! Conection Caribe? - Não: conexión. É em espanhol. Balada de salsa. É fantastico, lá! - Vamos. Mas eu não sei dançar... - Ah, é sussa... lá tem professores que te ensinam a dançar. - Você dança? - Eu engano. Minha irmã dança. - Ela vai? - Vai. Vão ela e um amigo dela. E assim fomos ao Conexión. Chegamos cedíssimo e no estacionamento, lebrei que não tinha dinheiro. É um problema pois o "Cô" (os mais íntimos chamam assim) só aceita dinheiro em espécie. Fomos até o posto de gasolina e sacamos dinheiro. Chegando lá, aviso que é o mês de aniversário. Oba! Entrada e uma caipirinha for free. A discussão da Gabi com o tio da comanda merece mensão: - Devia aceitar cartão aqui... - Pero hay que cuidar el bolso del cliente! - Mas não é melhor pra vocês que a gente gaste? (Pausa para risadas gerais...) - Gastando poco, vocês voltam mais. - Hm... é verdade... mesmo assim! Devia ter cartão... Entramos. Começamos a beber, comemos tacos e eu tentava explicar para a Gabi a diferença entre salsa e merengue. Chegou o amigo da minha irmã. Engraçadíssimo. Quando a pista começou a encher, ele se virou e saiu dançando com todo mundo. Mesmo sem ter a mínima idéia de como se dança salsa ou merengue. Em dado momento, fui ao banheiro com a Gabi. Estava tentando ensiná-la a dançar salsa. E ela estava se saindo super bem até que uma moça dessas habitues da casa entrou e intimidou minha amiga. Mas não fez mal: pouco depois ela e o amigo da minha irmã rodopiavam pela pista empolgadíssimos, sem se importar nem um pouquinho com fato de dançarem certo ou não. Posteriormente, eu fui dançar com o rapaz. No meio da dança, batemos os joelhos. Pouco depois, a testa. Depois narizes... e por aí foi. - Menina, vou sair da balada todo estropiado! E a noite transcorreu assim... divertidíssima. Sem muitos eventos exóticos mas definitivamente boa como apenas uma noite no "Cô" consegue ser. Afinal, não é a toa que esse lugar é o clubinho secreto de todo mundo que curte música latina. Sim: todo mundo já foi mas ninguém comenta muito. Talvez porque não seja lá muito fancy. Talvez pelos frequentadores muy bolivianos (meu patrícios. Dá licença?!)... vai saber? |
Sexta-feira, 8 de Junho de 2007
Compre Batom
Era mais uma tarde qualquer em que ela saia de casa para a faculdade. Mochila nas costas e aquela pasta A3 cheia de desenhos e pinturas em nanquim. Pensava provavelmente no que poderia pintar se a professora encomendasse mais uma pintura em pontilhismo. E seguia mergulhada naqueles pensamentos de estudante no começo da faculdade. Ela nem via direito o que se passava ao redor (era distraida até demais, a menina) e foi exatamente por isso que se assustou tanto. Mendiga: Ô menina, dá teu batom! Menina: O que?! Mendiga: Teu batom. Esse que tá na tua boca! Eu quero ele agora. Menina: Mas que batom?! Mendiga: Esse aí que cê tá usando... Menina: Mas não é batom. É minha boca. Ela é assim mesmo. Mendiga: Vermelha desse jeito?! Sem batom? Menina (esfregando os lábios): É sim, olha! Minha boca é vermelha mesmo... Mendiga (intercalando olhares surpresos entre a boca e a mão branca da estudante): Valei-me, nossa senhora! Tua boca é bem vermelhinha mesmo. A velha não se conteve e se precipitou para esfregar os lábios da menina com os dedos. Mendiga: Que boca linda você tem! Parabens, viu? Cê faz alguma coisa pra ela ficar assim? Menina (assustadíssima, quase petrificada): Não. Ela é assim desde que eu nasci... Mendiga: Parabéns. Menina: Brigada. E o ônibus chega ao ponto. Por um segundo, a estudante pensou em deixar o ônibus ir: assim ela poderia voltar para casa, lavar a boca com seu sabonete. Mas se o fizesse, ela se atrasaria para a aula. Decidiu subir no ônibus: lavaria a boca ao chegar na faculdade. Sim, aquela era de fato era a opção mais nojenta, entretanto naquele tempo, a menina ainda era empolgada com a possível futura profissão, responsável e pontual. |